DISTÚRBIOS DO APARELHO LOCOMOTOR
por M.V. Julio Cesar Mello Vieira
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    Os esportes equestres atingiram um nível técnico muito alto com competidores cada vez melhor preparados e cavalos com uma forte seleção genética para aptidão esportiva. Esta competitividade do meio exige que os cavalos sejam treinados e condicionados próximos ao seu limite fisiológico, de forma semelhante aos atletas de elite humanos, expondo também os nossos atletas a lesões músculo-esqueléticas. Nas rédeas, os pontos críticos são a idade de início do treinamento, alguns movimentos característicos, sua repetição e a duração dos treinos e do aquecimento antes das provas.


    Grande parte dos cavalos de rédeas são domados aos 2 anos de idade, visando sua participação nas provas para potros de 3 anos. Estas competições são muito populares e fornecem boas premiações em dinheiro, por isso, são muito disputadas e seus participantes devem estar muito bem preparados. Ao iniciar o treinamento, os cavalos passam por várias adequações para se adaptar ao nível de trabalho crescente, como, por exemplo, aumento na espessura e densidade ósseas. Não é incomum ultrapassar a capacidade adaptativa e causar lesões neste período, portanto, a atenção deve ser redobrada. As lesões mais comuns nesta fase são os sobreossos (calos ósseos formados rapidamente em locais que sofrem grande stress mecânico, bastante doloridos na fase aguda), também sinovites e capsulites (estágios iniciais da artrite), além de tendinites. A maioria delas não comprometerá a performance futura do animal, desde que devidamente tratada, respeitando o tempo de recuperação previsto.
    Outro problema relacionado à estréia precoce nas pistas são as chamadas doenças ortopédicas do desenvolvimento (DOD), bastante estudadas em cavalos de crescimento rápido, como os de corrida e de salto. A seleção por animais precoces e o manejo alimentar para que eles atinjam a idade de doma com um tamanho próximo ao de um adulto predispõem a distúrbios na formação óssea. As DODs  caracterizam-se por desvios angulares dos membros, formação de cistos ósseos e pequenos defeitos na interface osso-cartilagem. Elas podem permanecer latentes e se manifestar clinicamente apenas quando o cavalo atingir a idade adulta. A incidência destas doenças pode ser diminuída com uma alimentação adequada durante a fase de crescimento, evitando os “pecados por excesso”.


    Ao analisar os movimentos realizados na modalidade, lembramos principalmente dos giros e dos esbarros. Os cavalos de rédeas são selecionados de acordo com sua aptidão para realizar estes movimentos e, de modo geral, apresentam uma conformação “sobre si” dos membros pélvicos. Estas características e a habilidade destes cavalos permitem que eles realizem paradas bruscas, exigindo muita força dos membros posteriores e musculatura dorsal. Os spins e rollbacks, onde os cavalos giram o corpo usando os posteriores como pivô, submetem as articulações dos membros pélvicos a um grande torque. Como resultado, a osteoartrite das articulações distais do tarso (esparavão) é bastante comum na modalidade. As inflamações musculares da garupa ou lombo são, frequentemente, consequência de um processo doloroso no jarrete ou joelho.
    Outro fato a ser mencionado é que as manobras são repetidas muitas vezes nos treinos, para que os cavalos aprendam a realizá-las com desenvoltura. Além disso, existe a necessidade de que os cavalos fiquem calmos e completamente sob o controle do cavaleiro. Para que isso aconteça, muitas vezes necessitam ser galopados por longos períodos, principalmente antes das apresentações. Dessa forma criam-se dois fatores de risco: concussão e fadiga. A primeira manifesta-se por problemas como síndrome navicular e osteíte podal, ambas relacionadas ao impacto que sofrem os ossos do casco. A fadiga predispõe a lesões como desmites do ligamento suspensório ou tendinites de flexor superficial. Estes ligamentos/tendões se tornam mais relaxados e suscetíveis a pequenas rupturas depois que o animal está cansado.


    Com o aumento da competitividade dentro do esporte, cresceram também as exigências sobre o cavalo. Buscamos melhorar os cruzamentos, a criação dos potros, a técnica do treinamento e o condicionamento físico para ter cavalos cada vez melhores e mais competitivos. No entanto, é fácil exceder certos limites nesta busca pela perfeição. Conhecer a fundo os principais problemas relacionados à modalidade é o primeiro passo para evitá-los. A preocupação com a integridade dos cavalos é justificada, também, porque aqueles potros domados aos 2 anos que se destacarem no esporte, poderão,  depois de ter completado 6 anos de idade, competir nos Campeonatos Mundiais de Rédeas. Por isso, é necessário que estejam em condições físicas para enfrentar, além de competidores de altíssimo nível, as inspeções veterinárias e os exames anti-doping padrões da FEI.

 

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